O Novo Ensino Médio trouxe mudanças e novidades à vida escolar de milhares de jovens. Com a nova proposta, eles recebem mais autonomia e são convidados a assumirem o protagonismo de suas escolhas, inclusive, sobre qual carreira seguir. No entanto, o apoio familiar ao estudante é fundamental para o empenho nos estudos também nessa etapa de ensino. De modo que os pais ou responsáveis estejam presentes.

É o que diz Mônica de Oliveira, que é mãe da jovem Ana Luiza, estudante do 2º ano do Ensino Médio. Ela cursa o primeiro itinerário de formação técnica e profissional em Ciência de Dados no Centro de Educação Profissional (CEDUP) Prefeito Manoel de Aguiar, em Santa Catarina.

“A gente conversa bastante e sempre pedimos a opinião dela, para que possamos ter esse caminho de diálogo. Não adianta querer que ela faça algo que é do meu interesse, mas não do dela. Ela precisa se sentir à vontade para poder se encaixar”, afirma.

Assim como a estudante catarinense, o jovem Carlos Eduardo optou pelo itinerário de formação técnica e profissional em Ciência de Dados. Ele cursa o 2º ano do Ensino Médio no Centro Estadual de Educação profissional (CEEP) Professora Maria de Lourdes Widal Roma, em Mato Grosso do Sul. Sua mãe, Maria Elza Nascimento, confirma a importância de o estudante fazer as próprias escolhas.

“Permiti que ele escolhesse. Encaro como algo bom para ele, já que meu filho está com a mente voltada para a tecnologia dos nossos tempos. Como uma oportunidade para o seu próprio desenvolvimento”, declara.

A importância do apoio familiar ao estudante 

Apenas 46% dos pais ou responsáveis de estudantes brasileiros sentem que passam pouco tempo envolvidos na educação dos filhos. É o que aponta o relatório global Google for Education.

Propondo uma educação mais significativa, o novo Ensino Médio procura se aproximar dos interesses e realidades dos jovens. Dessa maneira, colaborando com a diminuição dos índices de evasão escolar. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o percentual de estudantes do Ensino Médio da rede pública que abandonaram as salas de aula em 2021 foi de 5,6%. Em 2020, a taxa era de 2,3%.

Nesse cenário, o incentivo familiar pode motivar o estudante a desenvolver suas habilidades e competências, visando seu futuro profissional. A estudante Ana Luiza comenta que o apoio familiar proporcionou a ela segurança para seguir nos estudos em Ciência de Dados.

“Tive o apoio de todos. Alguns parentes me disseram que foi uma ótima escolha, pois é um curso muito interessante e bom. Para mim, significa que talvez seja um caminho seguro, já que tendo o apoio deles posso me arriscar a tentar coisas novas”, declara.

O estudante Carlos Eduardo também concorda que o apoio familiar ao estudante faz a diferença para a tomada de decisão nessa fase da vida.

“Muda muita coisa, sempre é bom ter um apoio, mesmo que seja pouco”, reitera.

Possibilidades de atuação em diversas áreas 

O itinerário de formação técnica e profissional em Ciência de Dados, idealizado pela Fundação Telefônica Vivo em parceria com o Centro de Inovação para Educação Brasileira (CIEB), tem por objetivo democratizar a formação em dados. Atualmente, mais de 300 estudantes participam da formação nos estados de Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.

Por meio da tecnologia, o projeto visa contribuir para o desenvolvimento de competências digitais em estudantes e educadores, colaborando com a implementação dos conteúdos estabelecidos pela BNCC. Além disso, garantir que os jovens estejam preparados não apenas para o mercado de trabalho, mas para um mundo em constante transformação e impactado pela presença das tecnologias digitais.

O estudante que conclui o itinerário de formação técnica e profissional em Ciência de Dados se capacita para atuar em diferentes setores da economia. A área da Saúde, da Educação e o Agronegócio são alguns exemplos. O jovem profissional poderá apoiar ações de coleta, gestão, análise, visualização e interpretação de grandes conjuntos de dados, fundamentados na cidadania digital, nos princípios da sustentabilidade e na ética.

Ciência de Dados e empregabilidade 

Uma pesquisa realizada pela Integration Consulting, em julho de 2021, revelou que grandes empresas demonstram muito interesse em contratar profissionais juniores egressos do Ensino Técnico.

Esse interesse se deve ao fato de esse tipo de curso proporcionar aos estudantes um primeiro contato com as especificidades de uma profissão. Dessa maneira, os jovens são preparados, ainda na escola, para atender às necessidades do mercado de trabalho.

“Depois de ver a carga horária do curso de Ciência de Dados, achei as matérias bem interessantes e tentei levar em conta como uma profissão do futuro, já que tudo está se modernizando atualmente”, justifica a estudante Ana Luiza.

Mas para que os estudantes cheguem até o final da formação, o envolvimento e apoio dos responsáveis novamente se mostra fundamental.

“Quando não existe participação, os alunos muitas vezes acabam desistindo do curso. Os pais estarem ao lado dos seus filhos, incentivando e buscando conhecer o que de fato é o curso de Ciências de Dados, faz com que o aluno estude, busque conhecimento e se esforce muito mais”, afirma Carla Kobielski, coordenadora do CEDUP Jorge Lacerda.

De acordo com a lista Empregos em alta em 2022, organizada pelo Linkedin, o cargo de Cientista de Dados é o nono entre os 25 com maior demanda por profissionais capacitados.

Novas habilidades para o mercado de trabalho 

Atualmente, existe uma gama de habilidades requeridas pelo mercado de trabalho para que o profissional se destaque e conquiste uma oportunidade. De acordo com uma pesquisa sobre o futuro do trabalho, realizada em 2020 pelo Fórum Econômico Mundial, pensamento crítico, criatividade, originalidade e inciativa, liderança e raciocínio lógico estão entre as 15 principais habilidades.

No contexto em que vivemos, ter a capacidade de ler e analisar os dados é necessário não só para um cientista de dados. Mas também para a tomada de decisões estratégicas em qualquer situação e profissão.

De acordo com Márcio Urbanek, coordenador do itinerário formativo em Ciência de Dados no Centro Estadual de Educação Profissional (CEEP) Professora Maria de Lourdes Widal Roma, em Campo Grande (MS), é preciso superar a ideia do uso da tecnologia com função estritamente recreativa.

“É necessário desmistificar e desconstruir a ideia de que a tecnologia da informação está relacionada somente às redes sociais, jogos, site de vídeos e streaming. Alguns responsáveis pelos estudantes podem ficar apreensivos quanto ao itinerário formativo em Ciência de Dados. Isso pode acontecer porque o contato dos jovens com a informática é quase sempre através de jogos e redes sociais”, acredita.

O desenvolvimento de competências digitais é fundamental para que qualquer pessoa utilize no dia a dia novas ferramentas tecnológicas, softwares, aplicativos e também para o gerenciamento de informações. Nesse sentido, o profissional que chega ao mercado de trabalho com domínio dessas habilidades se destaca, principalmente por sua capacidade de solução de problemas.

Para se manter competitivo, é necessário acompanhar as mudanças do mercado. Assim, o jovem que estiver atualizado, com experiências práticas e buscando cada vez mais capacitação, terá mais chances de se diferenciar.