O Ministério Público do Tocantins (MPTO) promoveu na última
sexta-feira, 24, audiência pública para debater o ensino de tempo integral, no
Centro de Ensino Médio de Tempo Integral Santa Rita de Cássia no Jardim Aureny
I, região sul da capital.

Compuseram a mesa de debates o promotor de Justiça Benedicto
Guedes; a integrante do Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Infância,
Juventude e Educação (Caopije), do MPTO, Elaine Aires Nunes; o membro do
Conselho Estadual da Educação, Josiel Gomes dos Santos; o professor Jamir
Lourenço Filho; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no
Estado do Tocantins (Sintet), Fábio de Souza Lopes; o inspetor da escola,
Aguinaldo Guimarães Brito; e a superintendente de Educação Básica da Secretaria
da Educação do Estado, Markes Cristiana de Oliveira Santos.

Na oportunidade, a comunidade geral expôs o descontentamento
com o período integral de aulas. A escola Santa Rita de Cássia já foi a maior
escola do Tocantins, com 3,5 mil alunos. Em 2019, a unidade passou por um
processo que a transformou em ensino integral. Hoje, são pouco mais de 220
estudantes matriculados.

Jovens que pediram a palavra na audiência argumentaram que o
ensino em tempo integral impede que muitos adolescentes trabalhem. As
reclamações também foram referentes à infraestrutura da unidade. De acordo com
os alunos, faltam professores e materiais didáticos.

A representante do Estado afirmou que vai levar as
reivindicações de pais, alunos e professores à Secretaria Estadual da Educação
(Seduc). Ela justificou que a implantação do sistema de ensino integral atende
a um novo modelo de aprendizagem (Novo Ensino Médio), que prevê aumento da
carga horária total dos últimos três anos de estudo dos adolescentes.

O promotor de Justiça Benedicto Guedes disse que a presença
maciça da comunidade local na audiência foi extremamente importante para se
saber os anseios de pais, alunos e professores.

“As decisões de governo, de Estado, relacionadas à educação,
precisam ser baseadas numa gestão democrática. Isso é garantido pela nossa
Constituição. E hoje [sexta-feira, 24] viemos ouvir a comunidade, que
compareceu em peso. Foi uma audiência muito produtiva”, afirmou o promotor.